segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O TERRÍVEL ANCIÃO



                                                  O TERRÍVEL ANCIÃO
                                                     Por H. P. Lovecraft     

A intenção de Angelo Ricci, Joe Czanek e Manuel Silva era fazer uma visita ao terrível ancião.   Este velho homem vive sozinho em uma casa muito antiga da Rua da Água, próxima ao mar, e tem a fama de ser, ao mesmo tempo, extremamente rico e extremamente frágil.  Isto constitui uma situação muito atrativa para homens da profissão dos senhores Ricci, Czanek e Silva, que não é outra senão a digna gatunagem. Os moradores de Kingsport dizem e pensam muitas coisas sobre o Terrível Ancião. Coisas que, em geral, o protegem das atenções de cavalheiros como o senhor Ricci e seus companheiros, apesar da quase absoluta certeza de que ele esconde uma fortuna de indefinida magnitude em algum lugar de sua mofada e venerável vivenda. Ele é, em verdade, uma pessoa muito estranha, de quem se acredita que fora, em juventude, capitão de veleiros das Índias Orientais.  É tão velho que ninguém se recorda dos tempos em que era jovem, e tão taciturno que poucos sabem o seu verdadeiro nome.  Entre as árvores retorcidas do jardim da frente de sua velha e descuidada residência, conserva ele uma estranha coleção de grandes pedras, singularmente agrupadas e pintadas de forma a parecerem com os ídolos de um lúgubre templo oriental. Tal coleção afugenta a maioria dos garotos que zombam de sua barba e de seu cabelos, longos e brancos, ou que quebram as janelas de pequenas vidraças  de sua casa com malévolos petardos. Todavia, há outras coisas que atemorizam as pessoas mais velhas, de espírito curioso, que às vezes se aproximam furtivamente da casa para bisbilhotar pelas vidraças empoeiradas.  Estas dizem que sobre a mesa de uma sala vazia do térreo há muitas garrafas peculiares, e dentro delas um pedacinho de chumbo suspenso por um fio, à semelhança de um pêndulo.   E dizem que o Terrível Ancião conversa com essas garrafas, chamando-as por nomes como Jack, Cicatriz, Tom Grandão, Joe Espanhol, Peters e Mate Ellis;e que, sempre que fala com uma delas, o pequeno pêndulo interior emite umas vibrações precisas, como se manifestassem em resposta. Aqueles que tinham visto o alto e macérrimo Terrível Ancião numa dessas singulares conversações jamais voltaram a vê-lo novamente. Mas Angelo Ricci, Joe Czanek e Manuel Silva não tinham sangue de Kingsport. Pertenciam a esta nova e heterogênea estirpe estrangeira que ficava à margem do cativante círculo da vida e tradições da Nova Inglaterra, e via no Terrível Ancião apenas um velho trôpego e praticamente indefeso, que não podia andar sem a ajuda de uma bengala, ecujas mãos, esquálidas e débeis, tremiam deploravelmente. A seu modo, eles até que se compadeciam do solitário e impopular ancião, a quem todos evitavam e para o qual todos os cães latiam de forma singular.  Mas negócios são negócios, e para um ladrão cuja alma está em sua profissão, há uma atração e um desafio num homem muito velho e muito débil, que não tem conta bancária, e que paga pelas suas escassas necessidades,nas lojas dapequena cidade, com ouro e prata espanhóis cunhados há dois séculos. Os senhores Ricci, Czanek y Silva escolheram a noite de 11 de abril para realizar a sua visita.  O senhor Ricci e o senhor Silva entrevistariam o pobre e velho cavalheiro, enquanto que o senhor Czanek ficaria a esperá-los, juntamente com o presumível carregamento metálico, num carro coberto, na Rua do Navio, junto ao portão do muro alto,nos fundos da casa do anfitrião. O desejo de evitar explicações desnecessárias, em caso de uma aparição inesperada da polícia, engendrou os planos para uma fuga tranquila e sem alarde. Tal como haviam combinado, os três aventureiros foram à lutaseparadamente, a fim de evitar qualquer maldosa suspeita posterior. Os senhores Ricci e Silva se encontraram na Rua da Água, junto à porta de entrada da casa do ancião, e, embora não gostassem da forma como a Lua brilhava, reluzindo nas pedras pintadas que surgiam entre os galhos florescentes das árvores retorcidas, tinham coisas mais importantesa  pensar que em meras e fúteis  superstições. Temiam que poderia ser  uma tarefa desagradável fazer o Terrível Ancião falar sobre o esconderijo  do ouro e da prata, pois os velhos lobos do mar são particularmente  obstinados e  perversos. Ainda assim, era ele muito um homem velho e muito fraco,ao passo em que eles agiriam em dupla. Os senhores Ricci e Silva eram especialistas na arte de tornar volúveis os recalcitrantes, e os gritos de um frágil e mais que venerável anciãopodem ser facilmente sufocados. Logo, acercaram-se da única janela iluminada e escutaram como o Terrível Ancião conversava em tom pueril com suas garrafas com pêndulos. Em seguida, puseram máscaras e bateram educadamente à desbotada porta de carvalho. A espera parecia muito longa para o Sr. Czanek, que se agitava, inquieto, no cupê estacionado junto ao portão dos fundos da casa do Terrível Ancião, na Rua do Navio.  Tinha ele um coração mais sensível que o ordinário, e não gostou nada dos terríveis gritos que ouvira, vindos da velha casa, momentos depois da hora fixada para dar-se início à operação. Ele não recomendara aos companheiros que tratassem com a maior delicadeza o pobre velho lobo do mar?  Muito nervoso, ele observava a estreita porta de carvalho no muro de pedra coberto de hera.  Consultava frequentemente o relógio e perguntava-se o motivo da demora. Teria o velho morrido antes de revelar onde o tesouro estava escondido, tornando necessária uma minuciosa busca?  Desagradava o senhor Czanekter de esperar tanto tempo no escuro, e justamente num lugar como aquele. Em seguida, percebeu passos suaves ou arrastar de pés no passeio no caminho que havia além do portão, e ouviu que alguém descerrava suavemente o trinco enferrujado, vendo abrir-se para dentro o pesado e estreito portão. E no pálido brilho da lâmpada que iluminava a rua, forçou a vista para verificar o que os seus companheiros haviam furtado daquela casa sinistra, que agora lhe parecia imensa.  Mas não viu o que esperava. Não estavam ali os seus companheiros, mas o Terrível Ancião, que se apoiava, com ar sereno, em sua bengala nodosa, e sorria malignamente.  O senhor Czanek nunca atentara para a cor dos olhos daquele homem. Agora via que eram amarelos. As pequenas coisas causam comoção considerável nas cidades pequenas. Esta é a razão pela qual os habitantes de Kingsport, durante a primavera inteira e por todo o verão seguinte, não deixaram de falar sobre os três corpos não identificados, horrivelmente mutilados – como se talhados a cutelo – e horrivelmente esmagados – como se pisoteados por botas cruéis –, trazidos pela maré. E algumas pessoas até falaram de coisas tão triviais como um carro abandonado, encontrado na Rua do Navio, ou de certos gritos especialmente inumanos, provavelmente de algum animal extraviado ou de um pássaro migrante, ouvidos pelos cidadãos ainda acordados. Mas o Terrível Ancião não demonstrou o mínimo interesse por esses ociosos rumores provincianos.  Era ele reservado por natureza, e quando se é idoso e se tem uma saúde delicada, a discrição é duplamente acentuada. Além disso, um lobo do mar tão revelho deve ter presenciado coisas muito mais excitantes nos longínquos dias de sua já esquecida juventude. 
Versão em português por Paulo Sorianoapartamento para alugar em santos

A BRUXA


                                                                                      A BRUXA

No México as histórias de bruxas são comuns e, principalmente as pessoas mais antigas, conhecem algum “causo” contendo estes seres apavorantes. Dizem que no inicio dos anos 60, em uma pequena cidade no México, vários bebês nasceram na mesma época.

Esta mesma cidade era assombrada por uma mulher asquerosa, que todos diziam ser uma bruxa e adoradora do mal. Ela costumava sair para os campos durante a noite, quando todos estavam dormindo para praticar suas bruxarias. Alguns agricultores alegaram que ela sempre era vista caminhando pelos campos, quando eles , alertados pelos barulhos dos animais , espiavam pelas frestas das janelas.

Porém , apesar da assustadora presença, os moradores não se preocupavam muito com ela, pois até aquele tempo ela não havia feito nenhum mal aos moradores da cidade, até que algo terrível aconteceu....

Uma noite um casal dormia com seu bebê entre eles. Eles eram tão pobres que não podiam pagar um colchão e usavam um tapete como sua cama. Os pais não dormiam muito perto de seu bebê, pois tinham medo que eles acidentalmente se mexessem e machucassem seu filho.

O bebê chorava e a mãe acordava e tentava colocá-lo de voltar a dormir. Sempre que ela ia dormir de novo ouvia o bebê chorar mais uma vez. Ela acordava e fazia o mesmo de antes. Isto ocorria por várias vezes e a mãe acabou ficando irritada, pois estava muito cansada naquela noite. O pai dormia e estranhamente, não acordava com o choro do beber. Sem paciência, quando na quinta vez que o bebê chorou a mãe decidiu ignora-lo pensando que logo ele dormiria.

O bebê chorou por mais alguns minutos e a mãe continuou a ignorar o seu bebê até que ela ouviu alguém andando na rua. Ela ouviu a porta ranger e abrir lentamente. Ficou uns instantes, pensando que o barulho na porta tinha sido apenas uma impressão quando percebeu que seu filho havia ficado quieto e ela pensou que finalmente ele estava dormindo.

Quando a mãe fez um carinho no filho , percebeu que ele estava muito gelado, então ela o pegou no colo e emitiu um grito de gelar o sangue, tão alto que foi o suficiente para acordar até os seus vizinhos que moravam em uma casa próxima. As pernas e braços estavam todos arranhados e o bêbe estava desfalecido.

Acordado com o grito da mulher o homem saiu correndo na rua gritando desesperadamente: "- A bruxa! A bruxa atacou meu filho, ela atacou meu filho!

A mãe orando e com a criança junto ao peito jurou que havia ouvido uma mulher rindo ao longe.... Felizmente a criança se recuperou, apesar de manter algumas cicatrizes.

Depois disso muitos pais levavam suas crianças para perto deles quando dormiam. Às vezes, as crianças choravam no meio da noite e as mães começavam a reza para espantar a bruxa.

Outros relatos de crianças atacadas foram ouvidos pela cidade e muitos deixaram o local se mudando para cidades mais afastadas. Ninguém teve coragem de ir atrás da bruxa e fazê-la responder pelos ataques....

Até hoje dizem que o local é assombrado pela mulher que, as vezes, é vista andando pelos campos durante a noite. E o maior temor dos pais é ouvir seus filhos chorando, todos correm até eles imaginando que a bruxa está atacando novamente....

By A. Luciano baseado em um relato mexicano


domingo, 22 de novembro de 2015

Possível Fantasma na Foto da Família Perron

Possível Fantasma na Foto da Família Perron

Recebemos um e-mail da leitora Anna Katrynny de Goiania
 nos dizendo que ao observar uma das
fotos da família Perron na matéria
Harrisville: A História Real do Filme “Invocação do Mal”
identificou
 o fantasma de um garotinho.

E não é que ali, na janela ao lado do casal Perron, aparece o rosto de
 um garotinho do lado de
dentro da casa?! Veja:














Preste atenção,
    não é difícil de ver...
    veja abaixo com zoom:


Seria esse um dos fantasmas amigáveis que habitavam a casa? Talvez o garotinho que empurrava
 brinquedos
 pela casa? Ou seria o espírito da criança que choramingava pela casa chamando a mãe???

A VIRGEM DO POÇO



                                         A Virgem do Poço 
Havia no Japão Feudal do século XVII uma bela jovem de nome Okiko. Essa jovem era serva de um Grande Senhor de Terras e Exércitos, seu nome era Oyama Tessan. Okiko que era de uma família humilde, sofria assédios diários de seu Mestre, mas sempre conseguia se manter longe de seus braços. Cansado de tantas recusas, Tessan arquitetou um plano sórdido para que Okiko se entregasse à ele. Certo dia, Tessan entregou aos cuidados de Okiko uma sacola com 9 moedas de ouro holandesas -mas dizendo que havia 10 moedas- para que as
guardasse por um tempo. Passado alguns dias, Tessan pediu que a jovem devolvesse as "10" moedas. A donzela, ao constatar que só havia 9 moedas, ficou desesperada e contou as moedas várias vezes para ver se não havia algum engano. Tessan se mostrou furioso com o "sumiço" de uma de suas moedas, mas disse que se ela o aceitasse como marido, o erro seria esquecido. Okiko pensou a respeito e decidiu que seria melhor morrer do que casar com seu Mestre. Tessan furioso com tal repúdio, agarrou a jovem e a jogou no poço de seu propriedade. Okiko morreu na hora.
Depois do ocorrido, todas as noites, o espectro de Okiko aparecia no poço com ar de tristeza, pegava a sacola de moedas e as contava... quando chegava até a nona moeda, o espectro suspirava e desaparecia. Tessan assistia aquela melancólica cena todas as noites, e torturado pelo remorso, pediu ajuda à um amigo para dar um fim àquela maldição.
Na noite seguinte, escondido entre os arbustos perto do poço, o amigo de Tessan esperou a jovem aparecer para dar fim ao sofrimento de sua alma. Quando o fantasma contou as moedas até o 9, o rapaz escondido gritou: ...10!!! O fantasma deu um suspiro de alívio e nunca mais apareceu.
Essa Lenda do século XVIII,  é uma das mais famosas do folclore japonês. 

OS RUÍDOS DA MORTE

Os ruídos da morte
Extraído do Livro chamado: "O Livro dos Fenômenos Estranhos" de Charles Berlitz
Os habitantes das ilhas Samoa acreditam que, quando a morte se aproxima, pancadas secas paranormais são ouvidas na casa da vítima.
Esse estranho fenômeno já foi chamado de ruídos da morte, e sua existência representa mais do que mero folclore.
Genevieve B. Miller, por exemplo, sempre ouviu esses estranhos ruídos, principalmente na infância. As pancadas ocorreram durante o verão de 1924 em Woronoco, Massachusetts, quando sua irmã, Stephanie, ficou acamada com uma doença misteriosa.
Enquanto a menina permanecia na cama, ruídos estranhos, semelhantes a batidas feitas com os dedos, ecoavam pela casa. Eles soavam de três em três, sendo que o primeiro era mais longo do que os outro dois.
Certa vez, o pai de sra. Miller ficou tão irritado com os ruídos que arrancou todas as cortinas das janelas da casa, culpando-as por aquele barulho infernal. Contudo, essa demonstração de nervosismo de pouco adiantou para terminar com aquele sofrimento.
No dia 4 de outubro, já se sabia que Stephanie estava morrendo. Quando o médico chegou, ele também ouviu as pancadas estranhas.
- O que é isso? - perguntou, voltando-se para tentar descobrir a fonte do barulho.
Quando se virou novamente para a pequena paciente, ela pronunciou suas últimas palavras e morreu. As pancadas diminuíram a atividade após a morte de Stephanie, porém nunca chegaram a parar de todo. Elas voltaram, ocasionalmente, quando a família se mudou para uma casa nova.
Então, em 1928, o irmão de Stephanie morreu afogado quando a superfíc ie congelada de um rio, sobre a qual caminhava, quebrou-se. A partir dessa época, os ruídos da morte nunca mais foram ouvidos.

TOC TOC

                                                       
                                                          TOC! TOC!
                                                      Por Wagner Silva  

Toc! Toc! 
Lentamente as trevas começam a se dissipar e ele sente seu corpo sendo tomado pela consciência novamente. Sente as falanges dos dedos formigarem levemente. Os olhos vão se abrindo. Ao contrário do que é de se esperar, a luz não lhe ofusca a vista. Na verdade não há luz nenhuma. De pleno domínio do seu corpo, de olhos abertos, tudo o que vê é a escuridão. Está deitado de barriga para cima. As coisas lentamente começam a tomar forma na penumbra. Conforme seus olhos vão se acostumando com a falta de luz, ele consegue perceber os vultos ao seu redor. Distingue a estante de seu quarto,  onde ficam seus cd´s, revistas e o aparelho de som. Distingue também a cômoda, onde fica seu velho aparelho de TV de 19 polegadas. Seu quarto é a sua fortaleza e seu refúgio, um lugar que deveria lhe trazer a sensação de segurança  e proteção. Deveria! Toc! Toc! O barulho o coloca em total estado de alerta. Com os músculos contraídos, e os batimentos cardíacos acelerados. Sentiu o coração pulsando em sua garganta. Suas pupilas estão dilatadas e ele faz um esforço pra tentar enxergar melhor em meio aos vultos. Estaria ele sonhando? Infelizmente ele sabia que não. Toc! Toc! É uma casa mista, paredes externas de material  e as repartições internas de madeira. Três quartos, o dele, o dos seus pais e entre eles um quarto vago para receber visitas. Fica em um bairro residencial tranqüilo. Algumas vezes tranqüilo demais, quase deserto. Normalmente após as 23 h não há mais viva alma perambulando por suas ruas. O vizinho do lado fica a cerca de 30 metros de distância, com um muro alto no meio. O Vizinho da frente tem um terreno enorme e uma casa construída nos fundos. A sua casa era isolada das demais. Poucas horas antes, por volta das 20h, aproveitando que seus pais viajaram, recebeu um pequeno grupo de pessoas. Um amigo e duas amigas para ser mais exato. As meninas ficaram pouco tempo e antes das 22h, já haviam partido levando consigo a esperanças dos garotos terem algum sexo naquela noite. Ele e seu amigo ficaram por cerca de uma hora bebendo algumas cervejas e fumando um baseado. Até que por volta das 23:30h seu amigo também se foi. A pequena sala ficou ornamentada com latas de cerveja, bitucas de cigarro e restos de maconha. A arrumação poderia esperar até a manhã seguinte, pois seus pais ainda ficariam dois dias fora. O cheiro do baseado ainda impregnava a casa. Ele foi se deitar meia noite. Devem ter se passado duas horas e meias no máximo. Poderia seu amigo ter voltado por algum motivo e estar batendo à sua janela? Não! O barulho não era de batida em vidro, mas de batida em madeira. Poderia alguém estar batendo à porta? Não, pois mesmo ignorando o fato do portão estar cadeado,  caso fosse alguém à porta, as batidas soariam abafadas pela distância e no entanto, era como se as batidas estivessem muito perto. Assustadoramente perto.  Quase dentro da sua cabeça. Toc! Toc! Uma leve descarga de choque, proveniente do susto, percorre seu corpo. As batidas são dentro da casa. Estão batendo na parede do quarto. Não são batidas fortes. São bem leves, como se alguém estivesse batendo com os nós dos dedos na parede. Leves mas com intensidade suficiente para ter o acordado. Ainda deitado ele aguça a audição para tentar identificar o ponto exato de onde vem o barulho. Mas então, não há mais barulho nenhum. Um súbito silêncio invade o quarto. A esta altura, sua visão já está completamente adaptada a escuridão. A pouca luz vem do poste na rua e atravessa a grossa cortina de lona. Já reconheceu cada móvel e objeto do seu quarto. Aparentemente está tudo em seu lugar. Aparentemente ele esta sozinho no quarto. Mas em sua mente, uma voz insiste em lhe soprar aos ouvidos “as aparências enganam”. Durante uma fração de segundos ele calcula sua posição e mapeia mentalmente o seu quarto. Num súbito movimento, levanta dá dois passos em direção a porta, bate a mão no interruptor e se joga novamente pra trás na direção da sua cama, onde se cobre. É uma cena ridícula, coberto com o edredom em forma de capuz, deixando apenas uma fresta para espiar o quarto, como se estivesse envolto em um manto mágico que o protegesse de todos os perigos. Luz acesa,  o quarto em ordem, a porta fechada. Tudo da mesma forma que estava quando ele foi se deitar. Toc! Toc! Desta vez conseguiu identificar de onde veio o barulho. Veio da parede, logo atrás da sua TV. Veio do aposento ao lado, do quarto de visitas. Ladrão? Muito pouco provável. O bairro era tranqüilo, assim como a cidade e toda a região.  Há anos não se tinha notícia de roubo de qualquer espécie por ali. Algum animal de estimação? Nem ele nem seus vizinhos próximos possuíam gatos ou cachorros.  Além do mais, não teria como um bicho entrar sem ser percebido. Tenta organizar os pensamentos de forma lógica e analisar as possíveis alternativas. Fugir pela janela? E depois, ir pra onde? Pedir ajuda pra quem? Falar  o quê? Dizer que escutou um barulho dentro de casa e saiu correndo? E se alguém vier ajudar e vir as bebidas e os baseados na sala? Ficar na rua até amanhecer? Do que adianta, o que está fazendo o barulho agora, provavelmente continuará a fazer depois que o Sol raiar.  Se admitir que o barulho vai sumir com o dia claro, é o mesmo que admitir que o que causa o barulho só estaria lá durante a noite. Seria admitir que o barulho não é natural. Seria admitir que ele esta acreditando em coisas sobrenaturais. Acreditando em assombração. Infelizmente  sozinho e assustado, assombração é a única explicação que passa na sua cabeça. Tentando  controlar o medo, que ainda está num estágio controlável, analisa suas opções: ficar a noite toda apavorado ou descobrir o que está fazendo o barulho. “Não sou mais criança” pensou ele. “ se for alguma assombração, não vai ser a parede que vai impedir de me atacar. Se não for... se não for... Mas é claro que é! O que mais estaria batendo na parede? Com certeza tem um demônio, ou uma mulher vestida de branco com a faca na mão só esperando que eu vá até lá pra me pegar e...” Toc! Toc! –Puta que pariu! Sussurra ele ao mesmo tempo em que dá um pulo de susto. Na sua mente já podia ver a mulher com um vestido branco esvoaçante, com os cabelos louros balançando ao vento e com a ponta da faca batendo contra a parede. Toc! Toc! – T-tem  alguém aí? Pergunta ele, com a voz fraca e trêmula. As palavras saem arranhando sua garganta que está seca, devido ao fumo e a tensão que sente. –  Quem tá aí? Arrisca novamente, dessa vez com um tom mais firme. Novamente a resposta é apenas o silêncio. Levanta-se da cama, ainda enrolado na coberta e caminha lentamente até a porta. Com a mão firme, segura a maçaneta e começa a girar levemente para fazer o mínimo de barulho possível. Abre a porta formando uma pequena fresta e através dela olha para a sala, mas não é possível ver quase nada. Sentia que sua própria casa era um ambiente desconhecido e hostil. Um ambiente em que atrás de cada móvel, cada porta, poderia haver um perigo mortal e eminente, pronto para atacar a qualquer momento. Seu pavor era notável. Sentia um nó na garganta, um terrível formigamento nas extremidades dos pés e das mãos. Um frio constante e descomunal na espinha e uma sensação de vertigem no estômago, como se estivesse despencando de uma montanha russa, uma montanha russa macabra e demoníaca, cujo destino seria uma morte horrível, lenta e dolorosa. Então aqueles poucos segundos – o tempo necessário para ele tomar coragem pra sair do quarto e acender a luz da sala – parecem não ter fim. Com muito pesar ele abre um pouco mais a porta, passa exprimindo pela fresta e caminha até o interruptor da sala. No exato momento em que aperta o botão da luz, ouve o Toc! Toc! Sem saber distinguir o que de fato acontecia e as peças que sua mente lhe pregava devido ao medo, ele pode sentir – ou captar pela sua visão periférica – um vulto se aproximando. Se virou um movimento brusco e apavorado na direção do quarto de hospedes, já imaginando que ficaria cara a cara alguém ou com algo. Nada! A sala estava exatamente do mesmo jeito que ele tinha deixado antes de se deitar. Nada fora do lugar, nada fora do comum, aparentemente. Uma leve brisa soprava e entrava pelo basculante da janela, fazendo com que as cortinas dançassem de forma fantasmagórica ao sabor do vento. Como se fosse uma conspiração para deixar tudo ainda mais dramático, a porta do quarto de hospedes esta fechada. De repente, as cortinas se repuxaram e se contraíram com uma nova rajada de vento, e novamente o Toc! toc! fez seu sangue congelar nas veias. Já não conseguia falar, não tinha controle algum sobre seu corpo que não parava de tremer. Era quase como se estivesse em transe. O medo tomava conta dele, mas ainda assim sabia que iria até o fim para descobrir a fonte das batidas. A cada passo que dava atravessando a sala, a porta do quarto parecia crescer diante dele, fazendo se sentir cada vez mais indefeso. O pavor era tanto, que nem tomava uma forma única em sua mente. Enquanto levava a mão para a maçaneta da porta, divagava sobre o que iria encontrar do outro lado: o corpo de uma mulher em decomposição, com os olhos saltados pra fora e os cabelos desgrenhados... ou algum tipo de cachorro do inferno, com a baba negra e os olhos faiscantes grunhindo de forma aterrorizante... ou o próprio demônio, vestido de capa preta, com o corpo cheio de fumaça, fedendo a enxofre e carne podre.... Sentiu uma onda de calor e choque percorrerem seu corpo quando pouco antes de encostar na maçaneta uma nova rajada de vento fez com que a porta se abrisse com um leve “tec!”. Parado com a mão levemente a frente do corpo, na posição de cumprimentar alguém ou, no caso, de abrir a fechadura, viu a porta se abrir com um ranger que mais parecia um murmúrio, um lamento vindo do inferno. De imediato viu a cama. Aparentemente (as aparências enganam) tudo em ordem. Conforme a porta ia se abrindo e a luz entrando, revelava um quarto com poucos móveis, mas com tudo em seu lugar. Ninguém estivera ali. Uma escrivaninha velha, uma cortina de lona com uma madeira na base para manter esticada, a cama de casal e um guarda roupas. Por alguns instantes ficou ali parado, contemplando o quarto que agora não fazia barulho algum. Não havia nada e nem ninguém fazendo qualquer tipo de ruído ali, pelo menos não que ele pudesse ver. Teria sido um sonho? Seria possível que tivesse imaginado tudo? Uma nova rajada de vento entra pelo basculante do quarto e faz com que a cortina de lona comece a balançar. Então a madeira na base da cortina bate levemente contra o guarda-roupas. Toc! Toc! Nesse momento, foi como se alguém tivesse desligado o seu disjuntor. Toda a tensão em seus músculos se desfez de uma vez só. Apenas esboçou um sorriso bobo e murmurou: –  Filho de uma puta!

TEM ALGUÉM NA CASA

                                         
 
                                                   TEM ALGUÉM NA CASA 

                                                Por Eudes de Pádua Colodino     

- Querido, tem alguém na casa. Ao som trêmulo deste sussurro, o doutor foi tirado de seu profundo sono. Sentiu uma pontada rápida de impaciência pelo incômodo, mas foi logo invadido pela surpresa. Havia alguém na casa? Como assim? Mexeu-se na cama, causando alguns estalidos na velha armação de madeira. Parou subitamente ao som que produzira, amplificado pelo silêncio da noite. Ora, se havia intrusos na casa, devia fazer silêncio. Pegou os óculos na cabeceira, fixou o olhar no rádio-relógio: 1h30. Aguçou os ouvidos para tentar captar algum ruído que entregasse a presença do invasor. Acalmou a respiração para que pudesse ouvir o mínimo barulho não familiar e, ao estabilizar o fluxo de entrada e saída de ar em seus pulmões, pôde escutar alguns murmúrios e sinais de atividade bem sutis. Seu coração acelerou, a respiração tornou-se mais frequente e uma sensação de desespero começou a tomar forma em sua mente. Fechou os olhos e tentou se concentrar. Sabia que em momentos de estresse, o melhor era tentar manter a calma na busca pela melhor solução. Pensou em chamar a polícia. Não... O maldito celular estava dentro do carro. O telefone fixo não tinha extensão em seu quarto, e sua esposa estava com o número do celular inativo já há muito tempo. O que fazer? E se forem bandidos armados? Não se pode mais ter nada hoje em dia... Um homem que trabalha duro após anos e mais anos de estudo e dedicação ao ofício da medicina, logo menos despertaria a cobiça de algum safado, preguiçoso ladrão. Ficar parado não seria a melhor opção. Se forem bandidos minimamente espertos e um tanto mais corajosos, irão pensar que as maiores riquezas podem estar no quarto, em uma carteira ou num cofre, talvez. Pensou em sair do quarto... Tinha de ter uma arma em suas mãos. Não tinha arma de fogo, mas tinha uma pesada bengala de madeira de lei que fora de seu pai. Com certeza ela faria algum estrago na cabeça de qualquer gatuno. Levantou-se da cama com o máximo cuidado... Sua esposa estava paralisada, não emitia som algum. Devia estar aterrorizada. Caminhou descalço pelo carpete do quarto escuro, iluminado levemente de vermelho pelos números de led do rádio-relógio, que agora marcava: 1h34. Tirou a bengala do suporte em que ficava exposta na parede e se encaminhou para a saída do quarto. Pousou o ouvido na porta, podia ouvir mais claramente os passos e murmúrios dos bandidos. Sim: dos bandidos. Provavelmente, pelos seus passos, não mais que dois. Covardes... Nunca vêm sozinhos, sempre tem de ter um parceiro para dar cobertura. Contra quem? Velhos indefesos? Senhoras apavoradas? Ah, esses moleques iam ver só do que ele era feito... Ah, iam. Sentiu um calor de adrenalina subir à cabeça, encheu-se de coragem. Destrancou a porta, girou a maçaneta. O lado de fora do quarto estava um pouco mais claro pela mistura das luzes da rua e da lua que entravam pelas janelas, filtradas levemente pelas cortinas e refletidas nas paredes. Podia ouvir somente o zumbido da geladeira na cozinha, o tique-taque do velho relógio de pêndulo da família e alguns sons dos invasores. Nada mais. Na vizinhança, um silêncio sepulcral. Encostou a porta com máximo cuidado, e parou após o estalido da maçaneta. Ah, essa maçaneta miserável... Precisava denunciar seu dono justamente neste momento? Parou por um instante para perceber se havia sido notado: aparentemente não. O chão da casa era totalmente acarpetado, o que facilitava ao velho médico caminhar em silêncio. Foi pelo corredor dos quartos calculando calmamente seus passos, sem apressar-se muito. Precisava usar da cautela para que não fosse surpreendido em nenhum momento. Parou encostado na parede que fazia a curva para o banheiro e a escada. Mais uma vez, fixou sua audição na direção de onde os ruídos vinham, e sua intuição lhe dizia que estavam na sala. Refletiu sobre uma estratégia de ataque, mas se apercebeu de que não tinha nenhuma. A confiança subitamente o abandonava ao passo em que ele tentava buscar uma resposta à questão: como atacá-los sem se ferir? Mas, enquanto vacilava, ouviu leves passos na escada. Seu coração acelerou; eles iam dar de cara com ele. Ora, correr de volta para o quarto já não mais seria possível, ele denunciaria sua posição com o tropel que causaria. Tomou coragem enquanto os passos se aproximavam do topo da escada, e chegou a uma conclusão: ia tentar arremessar os bandidos pelos degraus abaixo sob pesadas bengaladas. Assim que ouviu o último passo no patamar do piso em que estava, dobrou rapidamente a curva da parede que dava de frente para a escada com a bengala em riste, pronta para fender a fronte do desgraçado que ousou violar a santidade do seu recanto. Depois se explicaria para a polícia, quando eles viessem recolher os cacos daqueles malditos. Ao dar para o patamar da escada, estacou estupefato. À sua frente, uma sombra estava parada, porém nada mais parecia ser do que somente isto – uma sombra. Não era um corpo físico, palpável, real. Apenas uma silhueta de contornos humanos. Vazia de solidez, mas repleta de escuridão. Aquela presença era composta de um negrume denso como o de uma profunda fenda, tão denso que dela parecia emanar alguma força sobrenatural que o invadiu em puro terror e desespero. Nunca antes em sua vida inteira sentira tanto pavor; e não era normal, por mais que a situação fosse tensa, aquele medo todo não vinha somente dele. A sombra à sua frente causava isto de alguma forma. Contemplá-la era como estar à beira de um abismo, pronto para o suicídio. Sua vista turvou, a cabeça pesou e o desespero fraquejou suas pernas, inclinando-o em queda sobre a sombra. Na queda, perdeu os sentidos por um pequeno instante, ironicamente recobrando-os enquanto rolava as escadas, sentindo todas as pancadas e escoriações do desabalado acidente. Seu corpo estava inteiramente mole pelo torpor que sentiu, causado pela estranha presença, não oferecendo qualquer resistência à queda. No último degrau, bateu violentamente com a cabeça na parede, emitindo um grunhido com gosto de sangue. Seu corpo inteiro doía, sentia que alguns dentes foram perdidos nos degraus e suas costelas deviam ter sofrido uma tremenda fratura. Tentou se levantar, mas o corpo não respondeu. Sua cabeça latejava. Olhou para o topo da escada, e nada mais havia lá. Respirou fundo e tossiu; sentia gosto de sangue. O acidente foi severo. Tentou gritar, mas a voz não lhe saía. Apenas gemidos incompreensíveis saiam de sua boca semicerrada. Seria aquele o seu fim? Ouviu um barulho próximo dele, ao lado. Virou os olhos para aquela direção, e a tal sombra mais uma vez estava lá, imóvel, voltada para si. Apavorado, fechou os olhos e tentou mais uma vez se levantar, mas sem sucesso. Ele inteiro era pura dor... Permaneceu caído em uma posição esdrúxula e em silêncio, e assim acabou por divisar melhor os ruídos que vinham daquilo que ele imaginou serem ladrões, mas que na realidade era a sombra cuja natureza ele não podia compreender: era um murmúrio ofegante, abafado, mas estranhamente familiar... Oprimiu a memória para reconhecer onde ouvira este som. Ora, de onde seria...? Sim! Com algum esforço reconheceu o que era; um garotinho de cinco anos com diagnóstico provável de meningite, pobrezinho, sabe-se lá por quem trazido ao pronto-socorro em que dava plantão por volta de duas semanas atrás. O menino estava sozinho e quase inconsciente, numa maca no corredor do hospital lotado, murmurando alguma coisa entre sua respiração ofegante e apressada. Naquele dia, o médico estava no fim de seu exaustivo plantão, tremendamente estressado. Pediu ao enfermeiro que aplicasse um analgésico no menino e que repassasse o caso ao próximo plantonista, pois naquele dia ele não queria sair atrasado. Puxa vida, um homem tem direito a um dia ruim? Ou não? Ele era somente um homem, nada mais. Mas, sem querer, decretara a sentença de morte do garoto. O próximo plantonista atrasou-se, e apenas constatou o óbito do menino. O peso dos anos de ofício médico era nocivo para ele; não conseguira se emocionar. E não refletiu a respeito. Era somente mais um caso de óbito entre tantos outros, em que suas possibilidades eram limitadas pela precariedade em que exercia sua profissão, ou pela precariedade de sua condição psicológica. Arrependeu-se, mas já era tarde demais. Sabia que, por causa de sua omissão, aquela era a sua hora, e seu destino não seria nada bom. Era um desgraçado. Pensou em sua esposa, sentiu sua falta. Cadê a velha, que não veio ver o que lhe ocorreu? Estava em uma situação deplorável, precisava de ajuda... Não... Ele era viúvo. Já há mais de um ano. E estava sozinho na casa. Bom, agora não mais. Fora acordado por um devaneio, ou seria o fantasma de sua esposa um partícipe na trama pela sua morte? OK, ele nunca fora um bom marido... Sempre cobrou um filho de sua estéril esposa, e ele nunca a deixou esquecer sua decepção. A mulher fora triste a vida inteira, depressiva... Até que um câncer a levou após anos de muito sofrimento, em que ele pouco ajudou ou apoiou. E agora, ali, destruído por um acidente, chegou à conclusão de que aquela seria sua derradeira noite. A morte do pobre rapazinho foi a gota d'água que transbordou o copo cheio de omissões e egoísmo que foi a sua vida, tanto pessoal quanto profissional. No fundo, ele merecia aquilo. Se esta pena fosse sobre outra pessoa, ele diria que foi bem feito. Sentiu-se o pior homem da história, sua vida inteira foi uma farsa. Como médico, salvou algumas vidas, mas poderia ter feito mais. Tornou-se insensível ao sofrimento alheio, envelheceu, esfriou. Agora, receberia sua paga. Olhou para a sombra que velava sua lenta morte. Sentia aos poucos a vida sair de si, e o terror que sentia ia se transformando em resignação. Estava entregando sua vida às mãos da morte negra que estava ao seu lado. Porém, ela não lhe deu o golpe de misericórdia como ele imaginou. Apenas ficou ali, imóvel, provavelmente observando a lenta agonia de sua vítima. Se era um anjo justiceiro ou um sádico demônio, ele não sabia. Mas ele ia saber o que era o verdadeiro sofrimento somente após algumas horas. Ao amanhecer, estava morto. Livre de seu corpo finito, porém acorrentado ao que viria depois. Sua alma foi carregada pela sombra, levada em incrível temor e pânico a um abismo tão escuro quanto o que compunha a matéria de seu algoz. Seu destino eterno estava selado. Sua desgraça não teria mais fim.exercicios para emagrecer